EBD Pecc (Programa de Educação Cristã Continuada) | 1° Trimestre De 2026 | TEMA: EZEQUIEL – O Atalaia de Israel | Escola Bíblica Dominical | Lição 02: Ezequiel 2 e 3 – O Chamado de Ezequiel
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Em Ezequiel 2 e3 há 37 versos. Sugerimos começar a aula lendo, com os alunos, Ezequiel 2.1-3.4 (5 a 7 min.). A revista funciona como guia de estudo e leitura complementar, mas não substitui a leitura da Bíblia. Nesta segunda lição, o foco é o chamado divino na vida de Ezequiel. Inicie a aula buscando compreender o valor de um chamado, mostrando que Deus nunca desperdiça uma pessoa disponível, mesmo que seus planos pessoais tenham sido frustrados. Em seguida, conduz a classe a refletir sobre a importância de obedecer ao chamado de Deus, mesmo quando a missão é difícil e o público é hostil, como a “casa rebelde” de Israel. O ponto culminante da lição deve ser a certeza de que o Deus que chama também capacita. Destaque como Deus alimentou Ezequiel com o rolo, tornando a Palavra parte de seu ser, e O constituiu como um atalaia, dando-lhe a firmeza necessária para cumprir sua tarefa.
OBJETIVOS
Compreender o valor de um chamado.
Obedecer ao chamado de Deus.
Saber que o Deus que chama também capacita.
PARA COMEÇAR A AULA
Comece com uma pergunta à classe: “alguém já foi convidado para uma tarefa que parecia grande demais ou difícil demais?” Deixe que alguns compartilhem suas experiências brevemente. Em seguida, introduza o tema da lição, mostrando que Ezequiel recebeu uma das missões mais difíceis da Bíblia: ser profeta para um povo de coração endurecido. Estimule a reflexão sobre como Deus não apenas chama, mas também capacita os Seus escolhidos para a obra. Mencione a necessidade de sermos fiéis a Deus, como Ezequiel.
LEITURA ADICIONAL
O CHAMADO PROPRIAMENTE DITO (2.1 – 3.27).
O capítulo 1 é um tipo de prefácio para o chamado do profeta. Os capítulos 2 e 3 descrevem o chamado propriamente dito. A Designação do Profeta (2.1a) No versículo 1 e em 86 outras ocasiões, o Senhor dirige-se a Ezequiel como Filho do homem. Somente Ezequiel, de todos os profetas, é tratado dessa forma. Essa designação é um lembrete ao homem chamado para o ministério profético de que ele continua uma criatura frágil e finita. Ele não tem valor algum como profeta, a não ser que o Senhor encha sua boca com as coisas que ele deve falar. Em Salmos 8.4 e Daniel 7.13 esse termo “Filho do homem” tem um significado messiânico. É possível que exista um certo grau desse significado no seu uso em Ezequiel. Como porta-voz de Deus junto ao Quebar, ele antevê Aquele que virá mais tarde em carne para falar em nome do Pai de forma direta. É significativo que, de acordo com todos os quatro Evangelhos, o título “Filho do homem” tomou- -se o nome preferido do próprio Cristo — mas ele acrescentou o artigo definido para torná-lo “o Filho do homem”. Foi dito a Ezequiel: põe-te em pé (1); e ao relatar a experiência, ele diz: Então, entrou em mim o Espírito […] é me pôs em pé (2). 0 propósito era que ele se levantasse e anunciasse com intrepidez em nome do Senhor, mas o Espírito Santo o ajudou a obedecer a essa ordem. Ele era declaradamente fraco, se fossem levados em conta somente os seus recursos. Mas era exatamente um homem assim que Deus poderia colocar diante dos exilados para adverti-los da necessidade de justiça pessoal. À esse homem, recrutado para o serviço divino, o Senhor diz: eu te envio aos filhos de Israel (3).6 Não parece ter havido nenhum ato de ordenação e envio como na Igreja do Novo Testamento (At 14.23). Há, no entanto, uma ordenação divina. Ezequiel foi enviado pelo Senhor para declarar mensagens firmes, mas, ao mesmo tempo, cheias de esperança para todos os filhos de Israel, tanto para os exilados como para aqueles que ainda estavam em Judá. Livro: “Comentário Bíblico Beacon: Vol 4: Isaías a Daniel” (Ross E. Price, C. Paul Gray, J. Kenneth Grider, Roy E. Swim. CPAD, 2012, p. 437).
TEXTO ÁUREO
E disse-me: Filho do homem, eu te envio aos filhos de Israel, às nações rebeldes que se rebelaram contra mim; eles e seus pais transgrediram contra mim até este mesmo dia. Ezequiel 2:3
Leitura Bíblica Com Todos: Ezequiel 2.1-3,4
Verdade Prática
O chamado de Deus exige coragem e fidelidade para proclamar a Sua palavra, mesmo diante da rejeição.
INTRODUÇÃO
I- DEUS CHAMA EZEQUIEL 21-7
1- “Põe-te em pé” 2.1
2- “Eu te envio 2.3
3- Não temas nem te assustes 2.6
II- DEUS CAPACITA EZEQUIEL 28-10; 3.1-4
1- Advertindo 2.8
2- Alimentando-se da Palavra 3.3
3- Autorizando 3.11
III- DEUS O CONSTITUI COMO ATALAIA 3.16-27
1- Eu te dei por Atalaia 3.17
2- Fala ao ímpio 3.18
3- Fala ao justo 3.21
APLICAÇÃO PESSOAL
INTRODUÇÃO
O livro de Ezequiel apresenta um dos chamados proféticos mais vívidos e impactantes das Escrituras.
I- DEUS CHAMA EZEQUIEL (2.1-7)
Ao chamar seu profeta, Deus lhe diz algumas coisas. Vejamos:
1- “Põe-te em pé” (2.1) Esta voz me disse: Filho do homem, põe-te em pé, e falarei contigo.
Deus chama Ezequiel repetidamente de “Filho do homem”. Esse título é usado 174 vezes na Bíblia: 93 vezes a respeito de Ezequiel no seu livro; uma vez só a respeito de Daniel (Dn 8.17); uma vez é aplicado a um ser misterioso num contexto messiânico (Dn 7.13) e 80 vezes referindo-se a Jesus. Ele enfatiza a humanidade frágil, bem como a unidade e identificação do profeta com seu povo. “Põe-te em pé!” não é apenas física, mas um chamado à postura espiritual de prontidão, atenção e submissão. O Espírito (Ruach) que entra nele capacita essa ação impossível para o homem natural: erguer-se diante do Santo. Uma primeira lição a tirarmos daqui é que todo encontro com Deus é um encontro missionário. Ezequiel não se encontra com Deus, é Deus que vai ao seu encontro e o comissiona, Devemos guardar isso no coração: Deus nunca desperdiça gente disponível. Talvez Ezequiel sentia-se frustrado pois estava impedido de exercer seu ministério sacerdotal visto estar em terra estrangeira e o templo ter sido destruído. Deus então o chama para algo maior e que ele jamais havia imaginado. Deus é assim, surpreendente no que faz. Lembremos disto, quando nossos planos são frustrados, é Deus nos lembrando que o roteiro não é nosso.
2- “Eu te envio” (2.3) Ele me disse: Filho do homem, eu te envio aos filhos de Israel, às nações rebeldes que se insurgiram contra mim; eles e seus pais prevaricaram contra mim, até precisamente ao dia de hoje.
Deus especifica o destinatário da mensagem: principalmente o povo da aliança, “os filhos de Israel, mas também as nações estrangeiras. Contudo, a descrição que Deus faz dos filhos de Judá é devastadora, chamando-os de: “casa rebelde”, “que se revoltou contra mim”. O termo “rebelde” (mordim) carrega a ideia de revolta intencional e contumaz. À referência aos antepassados (“seus pais”) mostra que esta rebeldia não é um fenômeno novo, mas uma característica arraigada e geracional. O profeta é enviado a um povo que historicamente rejeitou os mensageiros divinos. A mudança do local não mudou o coração dos judeus levados cativos em 605 a.€., 597 a.C, e 586 a.C. Ezequiel usou a frase “casa rebelde” por 16 vezes no seu livro. O diagnóstico é triste, mas também verdadeiro, pois vinha do próprio Deus. O pior é Deus dizer que se o enviasse às outras nações elas o ouviriam, mas Israel não o ouvirá. Isso é um alerta para todos nós. Ouvimos com alegria a voz de Deus? Mesmo quando ela nos confronta? Ou apenas queremos ter o ego massageado? Deus chamou Ezequiel para conduzir Israel ao arrependimento e isso implica dizer-lhes a verdade, Se o propósito fosse ser aplaudido ele diria ao povo o que queriam ouvir.
3- “Não temas nem te assustes” [2.6) Tu, ó filho do homem, não os temas, nem temas as suas palavras, ainda que haja sarças e espinhos para contigo, e tu habites com escorpiões; não temas as suas palavras, nem te assustes com o rosto deles, porque são casa rebelde.
Deus diz a Ezequiel qual atitude espera dele frente a dura missão que lhe aguarda. À resistência que ele enfrentará é descrita com intensidade: “semblante duro” (caras feias) e “obstinados de coração” (2.4). “Semblante duro” sugere insolência, desafio aberto, falta de temor. “Coração obstinado” aponta para uma teimosia interior, uma recusa inabalável em mudar de atitude, Deus não oferece a Ezequiel nenhuma ilusão de glória. Israel é uma casa em revolta e o profeta não deve ser surpreendido se rejeitarem sua mensagem. Apesar desta condição desesperadora, a ordem de Deus é clara: “tu lhes dirás: Assim diz o Senhor”. A autoridade da mensagem reside no emissor, não está na receptividade do auditório ou na habilidade do profeta. A fidelidade a entrega da mensagem é o imperativo, independente da resposta. Se não aceitassem de imediato, um dia viriam a saber que um profeta esteve no meio deles.
II- DEUS CAPACITA EZEQUIEL (2.8-10; 3.1-4)
Aonde a vontade de Deus nos leva, a sua graça nos sustenta e capacita. Deus nos conhece melhor do que nós mesmos. Sabe das nossas fraquezas, mas se dispõe a nos usar apesar delas. Quem é chamado será equipado à altura do chamado.
1- Advertindo (2.8) Tu, ó filho do homem, ouve o que eu te digo, não te insurjas como a casa rebelde; abre a boca e come o que eu te dou.
Antes de receber a mensagem, Ezequiel recebe uma advertência crucial sobre sua própria postura. O comando “não sejas rebelde” usa o mesmo verbo aplicado ao povo. Ele precisava vigiar para não incorrer nos mesmos pecados daqueles aos quais denunciava, senão sua mensagem perderia o efeito. O perigo do profeta é imitar aqueles a quem deve confrontar. A exortação “abre a tua boca e come o que eu te der” exige uma obediência ativa e total, mesmo diante do desconhecido. A identificação do pregador com os pecados do povo ao qual prega é uma tentação constante ontem, e hoje. Como disse John Owen: “Ninguém prega bem aos outros, se não prega primeiro para o seu próprio coração: À fidelidade de Ezequiel precisava ser inegociável. Ele deve ser o contraponto da rebelião que denuncia. Não é a grandes talentos que Deus abençoa de forma especial, mas a grande semelhança com Ele mesmo.
2- Alimentando-se da Palavra (3.3) E me disse: Filho do homem, dá de comer ao teu ventre e enche as tuas entranhas deste rolo que eu te dou. Eu o comi, e na boca me era doce como o mel
Assim como uma criança à mesa, Ezequiel é ordenado a comer tudo o que Deus lhe oferece. A ordem de comer o rolo é única e poderosa. Significa internalizar completamente a mensagem. Não é conhecimento intelectual apenas, mas assimilação total, tornando-se parte integrante do seu ser. A descrição do sabor “doce como o mel” é surpreendente. Apesar do conteúdo de julgamento, a própria Palavra de Deus, quando verdadeiramente internalizada, traz uma doçura profunda ao profeta – a doçura da obediência, da comunhão com Deus e da certeza de estar cumprindo Sua vontade. Ezequiel é um homem cheio da Palavra de Deus. Ela faz parte dele, está dentro dele. Aqui está a chave da autoridade do profeta e, modernamente, do pregador do Evangelho: ele carrega dentro de si, internalizado, a Palavra de Deus. Não se pode pregar sem se alimentar do Livro. O pergaminho ou papiro estava completamente preenchido (“por dentro e por fora”). A implicação era clara: a mensagem está completa. Ezequiel não deve modificar nada, Deus não permite nenhum espaço para ajustes. O conteúdo do rolo é descrito com três palavras: “lamentações, prantos e ais”. São palavras que expressam desastre, luto e julgamento iminente. Esta não é uma mensagem de fácil aceitação ou conforto superficial; é um diagnóstico severo do pecado e suas trágicas consequências.
3- Autorizando (3.11) Eia, pois, vai aos do cativeiro, dos filhos do teu povo, e, quer ouçam quer deixem de ouvir, fala com eles, e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus.
Especialistas nos fazem saber que o estilo usado: “eu te envio aos filhos de Israel” deriva-se do estilo oficial da corte. No uso secular o verbo descreve a ação pela qual uma pessoa superior comissionava um mensageiro para falar em seu nome, Isso era muito importante porque a mais séria acusação contra um profeta era “Yahweh não te enviou” (cf. Jr 43.2). Ezequiel precisava estar consciente de quem o autorizava para não recuar. Poderiam até não ouvi-lo de imediato, mas Deus diz que saberiam que um profeta esteve no meio deles. As dificuldades que o profeta enfrentaria seriam enormes, por isso Deus diz que faria duro o seu rosto e forte a sua fronte (3.8). Isso se refere a capacitação divina. Um profeta molenga e sem firmeza não cumpriria tão difícil missão. A certeza de que era Deus que o enviara lhe daria estrutura diante das oposições.
III- DEUS O CONSTITUI COMO ATALAIA (3.16-27)
Embora estivesse em uma terra estrangeira cercado de babilônios, o chamado de Ezequiel não é para missões transculturais. Ele é chamado para ser um Atalaia no meio do seu próprio povo.
1- Eu te dei por Atalaia (3.17) Filho do homem, eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel; da minha boca ouvirás a palavra e os avisarei da minha parte.
Ezequiel foi profeta no cativeiro. O Deus que escolhe e chama os seus servos também é o Deus que define a tarefa, escolhe o campo de serviço, fornece a mensagem, e assume a responsabilidade pelo resultado. Deus define claramente a função de Ezequiel: “atalaia” (tsopheh). No Antigo Oriente Próximo, o atalaia era um vigia estratégico nas muralhas da cidade, responsável por avisar sobre perigos iminentes. Diante de um ataque ele tocava a buzina colocando os soldados em prontidão e os civis para se esconderem. Sua vida dependia de sua vigilância; a vida da cidade dependia de seu aviso. Ezequiel é constituído por Deus como vigia espiritual para a “casa de Israel”. Sua responsabilidade primária é ouvir a palavra de Deus diretamente (“da minha boca”) e transmiti-la fielmente como advertência. O profeta é um canal de alerta divino.
2- Fala ao ímpio (3.18) Quando eu disser ao perverso; Certamente, morrerás, e tu não o avisares e nado disseres para o advertir do seu mau caminho, para lhe salvar a vida, esse perverso morrerá na sua iniquidade, mas o seu sangue da tua mão o requererei.
Junto com o privilégio de vestir o manto de profeta vem também uma grande responsabilidade para a vida e para a morte. Mas fica claro na própria existência a ordem de advertir que Deus está do lado da vida, não da morte, mesmo para o ímpio. Este trecho estabelece o princípio da responsabilidade condicional, Se o atalaia (profeta), alertado por Deus sobre a maldade de alguém, se calar, o sangue do ímpio que morrer em seu pecado será demandado do profeta. Sua omissão o torna cúmplice moral. Contudo, se ele advertir e o ímpio persistir, o profeta terá salvo a própria vida, pois cumpriu seu dever. O foco não é o sucesso da mensagem (conversão), mas a fidelidade na entrega. À lealdade em serviço é medida não pelo resultado, mas pela obediência à ordem divina. A responsabilidade do profeta é inescapável.
3- Fala ao justo (3.21) No entanto, se tu avisares o justo, para que não peque, e ele não pecar, certamente, viverá, porque foi avisado; e tu salvaste a tua alma.
O princípio se aplica também ao “justo”, aquele que pratica retidão. Se o profeta não advertir sobre um pecado e desvio futuro, o justo morrerá por seu pecado, mas sua morte será cobrada do profeta negligente. Se advertido, porém, e o justo pecar, ele morrerá, mas o profeta estará livre. À afirmação considera que as pessoas não são roubadas de sua liberdade de escolher. Reforça que a mensagem profética não é só para os declaradamente ímpios, mas também para manter os fiéis no caminho, prevenindo queda. A vigilância é continua. A perseverança na fé é necessária. Não é como alguém começa a corrida que conta, mas como a termina.
APLICAÇÃO PESSOAL
Deus chama, capacita e envia Seus servos como atalaias para proclamarem Sua Palavra com fidelidade. O resultado não depende de nós mas a responsabilidade de falar com coragem e verdade é nossa.
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